Prosa Rural - Estratégias de manejo para controle de micotoxinas em trigo
Prosa Rural - Estratégias de manejo para controle de micotoxinas em trigo
Setembro/2012 - 1ª semana - Região Sul
Um dos desafios da agricultura brasileira é garantir a produção de alimentos seguros, ou seja, livres de contaminantes. No trigo, um dos problemas que afeta a cadeia produtiva são as micotoxinas, resultado de fungos tóxicos que afetam a saúde mesmo após a industrialização dos alimentos. Para falar sobre as estratégias de manejo para o controle de micotoxinas em trigo, o Prosa Rural desta semana convidou a pesquisadora da Embrapa Trigo (Passo Fundo/RS), Casiane Salete Tibola.
As micotoxinas são substâncias naturais produzidas por determinados fungos que infectam os grãos e seus subprodutos, especialmente cereais, durante seu crescimento no campo ou na fase de armazenamento. A ingestão de alimentos contaminados com micotoxinas pode afetar a saúde, provocando desde intoxicação alimentar, com vômito e diarreia, até estágios iniciais de câncer. Nos animais, além de complicações no sistema gastrointestinal, também são registradas alterações mutagênicas, como deformidades nos descendentes em aves e suínos, principalmente.
As micotoxinas são quimicamente estáveis, tendendo a se manter intactas durante o armazenamento e o processamento, incluindo-se a panificação sob altas temperaturas. "A fabricação de alimentos, como cozinhar ou assar, não elimina as micotoxinas. O problema pode estar presente no pacote de macarrão ou na barra de cereal, por exemplo", alerta a pesquisadora.
Por esses motivos, as micotoxinas são uma preocupação crescente, considerando que, com base em dados de monitoramento, limites máximos de tolerância de micotoxinas vem sendo estabelecidos e regulados por legislação em normativas internacionais, em níveis cada vez mais restritivos, visando a garantir a segurança dos alimentos comercializados.
De acordo com Casiane Tibola, no trigo, as micotoxinas são provenientes, principalmente, de uma doença fúngica chamada giberela. Para evitar a contaminação e cumprir as novas determinações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde, que reduzem gradativamente até 2016 os limites de tolerância da presença de micotoxinas nos cereais destinados à alimentação infantil, é preciso que tanto o produtor, quanto a indústria e consumidor conheçam melhor o problema. Contudo, algumas estratégias na produção podem amenizar o problema com as micotoxinas, tornando os alimentos seguros para o consumidor.
A pesquisadora destaca a importância da adoção de medidas de controle integradas na produção do trigo, em etapas desde a lavoura até o processamento dos grãos. Na lavoura, é importante a escolha de cultivares resistentes e a utilização de programas de monitoramento das condições climáticas. Após a colheita, deve-se realizar a secagem o mais rápido possível, fazer a aeração dos grãos, descartando os de menor peso, que provavelmente estão contaminados, bem como fazer o controle dos insetos que danificam a plantação e facilitam a proliferação dos fungos. "Com o controle adaquado na produção, as micotoxinas são reduzidas a um limite tolerado pelo organismo tanto de humanos quanto de animais, o que torna o consumo de derivados do trigo seguro à saúde", conclui a pesquisadora Casiane Tibola.
Saiba mais sobre como prevenir as micotoxinas no trigo ouvindo o Prosa Rural, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Região Sul
Joseani Antunes (MTb 9396/RS)
Embrapa Trigo
Press inquiries
joseani.antunes@embrapa.br
Phone number: (54) 3316-5860
Further information on the topic
Citizen Attention Service (SAC)
www.embrapa.br/contact-us/sac/