05/05/15 |   Technology Transfer

Projeto Cotton 4 + Togo traz pesquisadores da África ao Brasil

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Photo: Sebastião Araujo

Sebastião Araujo - A missão técnica no Brasil envolve cinco instituições de pesquisa da África e vinte e quatro pesquisadores (engenheiros agrônomos) fortalecendo a troca de experiências e cooperação técnica entre os dois países

A missão técnica no Brasil envolve cinco instituições de pesquisa da África e vinte e quatro pesquisadores (engenheiros agrônomos) fortalecendo a troca de experiências e cooperação técnica entre os dois países

Uma delegação africana formada por vinte e cinco pesquisadores vindos do Benin, Burkina Faso, Chade, Mali e Togo estão no Brasil desde o dia 27 de abril em missão técnica no âmbito do projeto Cotton 4 + Togo, coordenado pela Secretaria de Relações internacionais (SRI) da Embrapa/ABC e apoio técnico da Embrapa Algodão.
 
Os pesquisadores são representantes de instituições de pesquisa em seus respectivos países, ou seja, eles trabalham no Instituto Ambiental e de Pesquisas Agrícolas de Burkina Faso (INERA), o Instituto de Economia Rural do Mali (IER), o Instituto Togolês de Pesquisa Agronômica (ITRA), o Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas de Benin (INRAB) e, Instituto de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento do Chade (ITRAD). A delegação ficará até o dia 15 de maio e tem como objetivo conhecer pesquisas e sistemas produtivos do algodão que possam ser adaptadas no Oeste africano.
Nos dias 27 de abril a 1º de maio os pesquisadores foram a Bahia onde visitaram ensaios no município de Luís Eduardo Magalhães, pesquisa realizada em parceria com a Fundação Bahia e a Embrapa. A delegação visitou, também, algumas associações e organizações da região, entre elas, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa BA) e a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa GO).
 
Nos dias 04 e 05 de maio estiveram na Embrapa Arroz e Feijão, onde participaram de reuniões e visitas a campo para conhecer as pesquisas com o algodão que são desenvolvidas pelo Núcleo Regional da Embrapa Algodão. Na oportunidade os pesquisadores visitaram a Fazendinha Agroecológica da Unidade que realiza trabalhos em Sistemas Agroflorestais - SAFs e produção agroecológica.
 
Na Embrapa Arroz e Feijão foi apresentado aos pesquisadores africanos questões relacionadas ao sistema de produção e melhoramento do algodoeiro no Centro-Oeste, o algodão agroecológico e visitas aos experimentos conduzidos na Unidade e outros aspectos referentes a manejo integrado de pragas e doenças.
 
 Sistema de produção do algodão - A produção de algodão no Brasil predomina basicamente na região do Cerrado, nos Estados de Mato Grosso, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Tocantins e no Maranhão. O ambiente de seca no Cerrado é bem definido e, a partir de outubro, se inicia o período chuvoso que vai até o mês de abril. É neste período que se concentra a maior parte da produção agrícola do Cerrado, entre elas, o milho, a soja, o feijão e o algodão.
 
Com o passar dos anos o sistema de produção de algodão na região foi se modificando, primeiramente iniciado com o monocultivo. Esta forma de produção trouxe vários problemas de conservação do solo, proliferação de nematoides e fungos (fusariose), além de pragas que afetam a cultura algodoeira, resultando em perdas de produção e impactos socioambientais.
 
Buscando melhorar o sistema de produção algodoeira e diminuir os impactos negativos, atualmente são realizadas rotações e sucessões de culturas, sendo os sistemas mais comuns na região os que envolvem a soja, o milho e o feijão. Como estratégias de diversificação do ambiente e melhoria do sistema produtivo, se destaca o Sistema de Plantio Direto (SPD), com a introdução de gramíneas, como as braquiárias, e em alguns casos leguminosas, como a Crotalaria spectabilis. Essas espécies de coberturas, cultivadas principalmente no período de safrinha, auxiliam no processo de ciclagem de nutrientes, a exemplo do potássio, do cálcio e do magnésio, além dos benefícios da fixação de nitrogênio por parte das leguminosas.
 
Um aspecto bastante positivo é que a produtividade de algodão no Cerrado brasileiro, em condições de sequeiro, é a maior do Mundo. Porém, ela demanda de muitos investimentos, sobretudo para o custeio de insumos: fertilizantes, inseticidas, fungicidas e herbicidas. A rotação de culturas, o uso de espécies de cobertura, sejam elas gramíneas ou leguminosas como acima citado, são estratégias que visam fortalecer tanto a produção das culturas, como também a preservação dos recursos naturais da região.
 
 "A sucessão de culturas e, sobretudo, a rotação de culturas numa mesma área, ao longo do tempo, é uma das mais importantes estratégias agronômicas para a sustentabilidade produtiva. Porém, não significa que os problemas sejam resolvidos apenas com essa prática agrícola. No algodoeiro cultivado em sistema de plantio direto, novos problemas têm surgido, a exemplo de pragas e doenças, de acordo com as culturas integrantes do sistema produtivo, inclusas aqui espécies de cobertura do solo para o SPD", destacou o pesquisador Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, do Núcleo Regional da Embrapa Algodão.
 
Assim, a delegação africana pode conhecer, mais detalhadamente, as pesquisas que estão sendo desenvolvidas no Cerrado brasileiro, avaliando os diferentes sistemas de produção do algodoeiro, seus impactos positivos e negativos sobre o solo e o controle das pragas, doenças e plantas daninhas.
 
Dando continuidade à missão técnica africana, nos dias 06 e 08 de maio, a delegação visitará o Grupo JHS, a Associação Sul Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampasul MS), a Fundação Chapadão e o Grupo Schlatter.
 
Encerrando a viagem ao Brasil, nos dias 11 e 12 de maio os pesquisadores retornam a Goiânia, indo novamente à Embrapa Arroz e Feijão para definição de futuros protocolos de pesquisa a serem conduzidos em cada um dos cinco países do Oeste africano.
 

Hélio Magalhães (4911 MTb/MG)
Embrapa Arroz e Feijão

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