15/05/15 |   Animal production

Artigo: PD&I como alavanca para a pecuária sustentável

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Cleber Oliveira Soares
Chefe-geral da Embrapa Gado de Corte
 
A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação (PD&I) associados à transferência de conhecimentos e tecnologias (TT) são os principais pilares para o desenvolvimento de um agronegócio realmente sustentável. Esses sustentáculos foram, são e serão a base para produção de alimentos, fibras e energia renovável no mundo.
 
Segundo projeções da ONU, até 2050 a população mundial ultrapassará o número de 9,2 bilhões de habitantes, dos quais cerca de 30% serão idosos. A FAO estima que será consumido o dobro de alimentos produzidos atualmente, sendo que o adicional de proteína animal poderá chegar a quase 100% passando dos atuais 284 milhões de toneladas para 500 milhões de toneladas de carne, enquanto para grãos será necessário produzir mais 1 bilhão de toneladas. Isso representará um crescimento médio de 70% da produção de alimentos, e a incorporação de pelo menos 120 milhões de hectares de novas áreas agrícolas, especialmente na África Sub-Saariana e na América Latina.
 
Há uma expectativa, para o horizonte de 2050, de 72% do consumo de carne ocorrer em países em desenvolvimento, contra os 58% atuais. Essa projeção certamente tem como suporte a expectativa na melhoria de qualidade de vida e renda da população, e pelo fato do consumo de carne estar intrinsecamente associado ao poder aquisitivo do consumidor.
 
Por outro lado, enquanto há países com consideráveis índices de consumo per capita, disponibilidade de carne, ou renda que favorecem este consumo, ainda hoje é necessário alimentar quase 1 bilhão de famintos e reduzir 25 mil óbitos diários no mundo decorrentes da fome. Associado a estes fatores, o agronegócio deve contribuir para o incremento da renda do produtor e dos atores associados à cadeia produtiva, a fim de reduzir os indicadores de pobreza. Para suprir essa demanda de alimentos no mundo estima-se que 70% do incremento da produção será exclusivamente pela adoção de tecnologias.
 
A importância da cadeia produtiva da pecuária, em especial da carne bovina, está diretamente relacionada às tendências do mercado agroalimentar, em que a segurança dos alimentos, sua qualidade e a necessidade de aumentar a produtividade são os três principais pilares. O Brasil é o maior exportador de carne bovina (33% do comércio mundial), com projeções e espaço comercial para aumentar a sua participação no mercado externo. Hoje a cadeia de produção de carne no Brasil tem o maior valor bruto entre os produtos agrícolas. A pecuária de corte responde por 11% do produto interno bruto (PIB) do agronegócio.
 
A pressão pela produção sustentável e otimizada de alimentos, associada aos novos padrões regulatórios dos países importadores, impõe o desafio da PD&I para a produção de carne bovina. O Brasil e o mundo devem produzir alimentos, fibra e energia renovável de forma sustentável sem impactar os biomas, primando pela conservação dos recursos naturais. Sem esquecer a mitigação dos gases de efeito estufa (GEE), a otimização do uso da terra, e do lucro ao produtor rural.
 
O aumento da produtividade é uma das alternativas para o incremento físico da produção sem a necessidade de uso e abertura de novas áreas para pastagens. Desta forma, para melhorar a performance dos animais e promover crescimento da produtividade de carne bovina, faz-se necessário o desenvolvimento de soluções tecnológicas que sejam absorvidas pelos segmentos e atores da cadeia produtiva da pecuária de corte.
 
Precisamos realizar PD&I e TT visando não só desenvolver e transferir soluções tecnológicas, mas, sobretudo, que sejam adotadas, causem impactos positivos e contribuam para superar os desafios globais para a produção de proteína animal: i) barreiras não-tarifárias como as sanitárias, ambientais e sociais, ii) barreiras técnicas como bem-estar e uso de animais, iii) rastreabilidade e certificação, iv) acordos sanitários, e v) logística e armazenamento.
 
As instituições de ciência e tecnologia têm papel âncora para o desenvolvimento do agronegócio e da cadeia produtiva da pecuária de corte. Para alcançar os patamares atuais de importância e impacto da produção de carne no Brasil e sua participação no mundo, a Embrapa contribuiu de forma decisiva por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimento e de tecnologias relacionadas a pastagens, genética animal, sanidade animal, nutrição animal, gestão do agronegócio, dentre outras.
 
Hoje as demandas são outras e maiores. É preciso contribuir para a evolução dos protocolos de qualidade (de boas práticas de produção a sistemas de produção integrados), passando por rastreabilidade e certificação, incrementar e internalizar as tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta, desenvolver tecnologias portadoras de futuro (biotecnologia, nanotecnologia, genômica, proteômica, bioinformática), ofertar ferramental de tecnologias de informação e comunicação (as chamadas TICs), investir em pecuária de precisão, explorar a eficiência energética dos sistemas produtivos, reduzir a emissão de GEE, recuperar pastagens, e desenvolver tecnologias em genética, nutrição, sanidade animal e gestão rural. Mesmo porque, é previsível que apenas com a adoção de tecnologias é possível saltar a produção de carne bovina dos atuais 9,5 milhões de toneladas para 24,2 milhões de toneladas sem aumentar em um hectare a área ocupada por pastagens.
 
O desafio para a pecuária sustentável, no sentido amplo da palavra, vem sendo lançado, cabe a nós superá-lo. Devemos realizar PD&I como alavanca da pecuária eficiente, em benefício da sociedade brasileira, e de uma produção global cada vez mais sustentável.
 
 

Embrapa Gado de Corte

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