Macrofauna do solo é tema de curso na Embrapa Meio-Norte
Macrofauna do solo é tema de curso na Embrapa Meio-Norte
Pesquisadores e professores responsáveis pelas ações relacionadas à biologia do solo em sistemas integrados, vinculadas ao projeto “Tecnologias para sistemas de produção integrados na região Meio-Norte do Brasil”, ministraram curso sobre coleta e identificação da macrofauna do solo, na sexta-feira (29/03). A capacitação teve duração de oito horas e ocorreu na Embrapa Meio-Norte, em Teresina, Piauí.
Durante o curso, destinado a profissionais da Embrapa Meio-Norte, professores universitários, bolsistas e estagiários da área de solos, foram apresentados conteúdos em sala e houve práticas em campo e em laboratório voltadas à coleta e identificação da macrofauna (minhocas e outros seres que vivem no solo) para estudos que visam a avaliar o impacto ambiental sobre as populações existentes nos solos, especialmente, as minhocas.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas, George Brown, ministrante do curso, existe cerca de 20 grupos de seres vivos que habitam os solos, todos com algum nível de participação no ecossistema. “Todos têm participação, seja como presa, como predador ou como engenheiro do ecossistema, que são aqueles responsáveis pela construção das estruturas do solo”, explica.
A professora da Universidade Positivo, de Curitiba – PR, Marie Bartz, foi uma das ministrantes do curso. Marie é uma das maiores especialistas, no Brasil, em taxonomia de minhocas. Taxonomia refere-se à identificação e descrição de seres vivos. No Brasil, existem cerca de 350 espécies já identificadas de minhocas. Segundo a professora, a estimativa é de que existam mais de duas mil espécies de minhocas em solos brasileiros.
“A minhoca é um indicador de qualidade do solo. Há as minhocas nativas, que quando encontradas no solo, representam que este está preservado e rico em nutrientes, e existem também as minhocas exóticas, que se encontradas em quantidade, também demonstram que o solo está mantendo um nível desejável de qualidade. Melhor ter pelo menos minhocas exóticas, do que não ter nenhum tipo”, esclarece.
Projeto sobre sistemas de produção integrados - O curso, realizado em Teresina, fechou uma semana intensa de trabalho da equipe, que nos dias anteriores realizou coletas de seres vivos da macrofauna do solo, na fazenda Nova Zelândia, em Uruçuí, nos Cerrados do Piauí. A coleta também faz parte das atividades do projeto “Tecnologias para sistemas de produção integrados na região Meio-Norte do Brasil”, que tem experimentos implantados no Piauí e Maranhão.
Fazem parte da ação, estudos acerca da atividade biológica do solo em áreas sob sistemas integrados de cultivo. Estão sendo contempladas, também, atividades relacionadas aos aspectos microbiológicos do solo, tanto com relação à atividade dos organismos (biomassa e atividade microbiana, atividade enzimática), quanto com relação à eficiência de microssimbiontes que são bactérias fixadoras de nitrogênio e alguns tipos de fungos. “Serão também avaliados os efeitos dos sistemas integrados sobre a macrofauna do solo e num contexto mais específico, haverá também uma atividade voltada ao levantamento populacional de minhocas, o que servirá de ponto de partida para estudos futuros sobre o papel ecológico deste grupo de invertebrados em sistemas de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) na região Meio-Norte.
De acordo com George Brown, responsável por esta ação do projeto, as populações de minhocas (abundância, biomassa e diversidade) serão avaliadas nos experimentos envolvendo o cultivo de espécies gramíneas forrageiras consorciadas com milho e com soja em sucessão no Sudoeste Piauiense, Sul e Leste Maranhense.
Com a coleta realizada em Uruçuí, de acordo com Marie Bartz, o Piauí passará a ter o primeiro registro de espécies de minhocas. “Já conhecemos as espécies existentes no Sul e Sudeste, mas no Norte e Nordeste estamos iniciando agora os trabalhos. Esse levantamento é importante e contribui para termos resultados mais concretos acerca da qualidade do solo da região e direcionar ações com Integração Lavoura Pecuária Floresta e com plantio direto”, acrescenta.
Eugênia Ribeiro (MTb 1091/PI)
Embrapa Meio-Norte
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