Estudo internacional aponta lições para a restauração de florestas tropicais
Estudo internacional aponta lições para a restauração de florestas tropicais
Cientistas apontam recomendações para melhorar os processos de restauração florestal em nove países do mundo. As recomendações fazem parte de um estudo internacional que foi apresentado no XXV Congresso Mundial da IUFRO (União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal), em Curitiba (PR). A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, foi a representante do Brasil.
O estudo, encomendado pela IUFRO e chamado de snapshot stud, levantou as informações em países signatários do Desafio de Bonn - acordo internacional cujo objetivo é restaurar 150 milhões de hectares de terras desmatadas e degradadas do mundo até 2020 e 350 milhões de hectares até 2030. “O trabalho avaliou como estão os processos de restauração de paisagem em diferentes áreas e recomenda um conjunto de lições para cada país”, afirma Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental.
Esforço internacionalO Desafio de Bonn (Bonn Challenge, em inglês) é um acordo internacional lançado em 2011 a partir de uma parceria entre o governo da Alemanha e a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês). O objetivo é restaurar 150 milhões de hectares de terras desmatadas e degradadas do mundo até 2020 e 350 milhões de hectares até 2030. O Brasil é signatário do acordo e a meta brasileira é restaurar 12 milhões de hectares. |
No Brasil, a área escolhida para o estudo foi a região Sudeste do estado do Pará, mais especificamente em três municípios: Marabá, Parauapebas e Ipixuna. O local é caracterizado por processos de ocupação relativamente recentes, dinamizados há menos de 50 anos, mas com grandes problemas socioambientais.
O estudo brasileiro, de acordo com a pesquisadora, envolveu mais de 50 entrevistas em oito assentamentos da região. A equipe, que incluiu além de Joice Ferreira, os pesquisadores Silvio Briens, da Embrapa Amazônia Oriental, e Cassio Pereira, do Instituto Iniciativa Amazônica, se reuniu com instituições governamentais, não-governamentais, agricultores, empresas e universidades para buscar lições que ajudem a aumentar a escala da restauração florestal. Também foram analisados diferentes projetos de restauração em andamento ou finalizados na região.
“A ideia foi conduzir o estudo de forma padronizada, com um método semelhante em cada país, para permitir fazer generalizações úteis e orientar a restauração florestal. Por mais que haja diferenças culturais, de legislação, de práticas produtivas e taxa de desmatamento, existem questões comuns que emergem. As lições do Brasil, por exemplo, podem ser aplicadas em outros países tropicais”, afirmou a especialista.
Recomendações para a Amazônia
Joice Ferreira apontou que um dos principais aprendizados no estudo é que existe um conflito de expectativas entre as instituições e os agricultores. Ela reconhece que os agricultores familiares vivem em situação de vulnerabilidade, com baixa produtividade agrícola e pouca assistência técnica. “Os projetos que abordam somente a restauração florestal não despertam o interesse do agricultor. A expectativa deles é conseguir ter alimentação e renda, e isso geralmente não é feito somente com árvores, pois ainda são poucas as espécies que trazem renda de curto prazo para o produtor”, relata a especialista.
“O agricultor entra nos projetos com a expectativa de desenvolver a parte agrícola, ao passo que um projeto de restauração tem objetivos múltiplos – sociais, ecológicos e econômicos. Assim, os projetos têm que buscar também esse objetivo social para de fato haver o engajamento dos agricultores”, explica.
Além disso, a pesquisadora também apontou que as queimadas têm limitado o desenvolvimento dos projetos de restauração. “Nas entrevistas percebemos que muitas pessoas perderam as áreas restauradas por causa do fogo. Então recomendamos que os projetos de restauração precisam também de estratégias de manejo ou controle do fogo”, relata Joice.
Para Michael Klein, coordenador-geral da iniciativa da IUFRO, o trabalho aponta para diversas direções como vontade política, necessidade de governança da paisagem, interação entre os atores, aspectos técnicos, além da capacidade de desenvolvimento e implantação dos projetos de restauração. “Para medir o progresso no chão, é preciso olhar a paisagem como um todo, fazer uma abordagem de baixo para cima, dar prioridade às pessoas, buscando a visão delas sobre a paisagem”, afirma. O estudo será finalizado e apresentado no início de 2020 nos nove países.
Maureen Bertol (MTb 8330/PR)
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Ana Laura Lima (MTb 1268/PA)
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