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Brasil e países africanos iniciam nova fase de intercâmbio em benefício do agro sustentável

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Photo: Vinicius Kuromoto

Vinicius Kuromoto - O diretor de Governança da Embrapa, Alderi Araújo, o representante do IICA, Gabriel Delgado, a presidente Silvia Massruhá e a diretora substituta da ABC, Luiza Lopes Silva, assinaram a carta de intenções

O diretor de Governança da Embrapa, Alderi Araújo, o representante do IICA, Gabriel Delgado, a presidente Silvia Massruhá e a diretora substituta da ABC, Luiza Lopes Silva, assinaram a carta de intenções

Identificar oportunidades, buscar alternativas aos desafios e retomar esforços em benefício do desenvolvimento do agro sustentável, no Brasil e no continente africano, a partir do intercâmbio de conhecimentos e realidades comuns. Esse foi um dos principais temas do encontro entre a Embrapa, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), com a participação de representações diplomáticas africanas e organismos nacionais e internacionais, nesta quarta-feira (19).

O evento Diálogo África-Brasil em PD&I na Agropecuária, realizado na sede da Embrapa, em Brasília, marcou mais um passo em direção à adoção de estratégias que atendam prioridades como agricultura regenerativa, segurança alimentar e recuperação de áreas degradadas.

Na programação, a carta de intenções para o programa de intercâmbio de pesquisadores africanos no Brasil ,foi assinada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a diretora substituta da ABC, Luiza Lopes da Silva, o representante do IICA no Brasil e secretário-executivo do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), Gabriel Delgado, e o diretor de Governança e Informação da Embrapa, Alderi Araújo. A iniciativa dá início ao planejamento de ações de integração e de troca de conhecimento entre cientistas estrangeiros. “Esse momento representa a disposição em alavancar o compartilhamento e as alianças que serão fundamentais no cenário global”, afirmou Silvia, ressaltando estarem envolvidos parceiros históricos no desenvolvimento da ciência.

A previsão é de que venham ao Brasil 30 pesquisadores de institutos científicos, universidades ou órgãos de governo de países africanos, por um período, para o intercâmbio de conhecimentos e competências em tecnologias que promovam a segurança alimentar e nutricional, a agricultura regenerativa e a resiliência e a recuperação de áreas degradadas. No dia posterior ao evento, os parceiros participaram de oficina técnica para delinear as diretrizes do programa.

Na abertura do evento, estiveram presentes Luís Renato Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Manuel Otero (on-line), diretor-geral do IICA, Aggrey Agumya, diretor-executivo do Forum for Agricultural Research in Africa (Fara), Ismahane Elouafi (on-line), diretora-executiva do Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR),  e Jean Jacques Muhinda, diretor regional da Alliance for a Green Revolution in Africa (Agra).

“Essa iniciativa é uma demonstração do nosso interesse em reforçar o compromisso com a agricultura sustentável e retrata o avanço na agenda histórica de parceria, ainda mais agora nessa missão voltada ao continente irmão”, destacou Otero. “Sessenta por cento das terras aráveis do mundo estão na África e, com a experiência da Embrapa em transformar terras sem produção, será possível provar que a agricultura é parte da solução, desde a segurança alimentar até a transição energética”, completou. Otero defendeu ainda mais investimentos públicos e privados e atenção às políticas públicas.

Para Luiza Lopes, diretora da ABC, a meta de cooperação é ambiciosa, porque envolve dezenas de países africanos e sul-americanos, cujos desafios são parecidos, como a garantia da segurança alimentar em situações de escassez de água. “O Brasil tem a oferecer a experiência em áreas comuns que pode ser levada para a África”, comentou, citando a preparação para uma nova fase de cooperação. “Além das terras cultiváveis, a África tem uma biodiversidade muito rica, que abre um leque de possibilidades para projetos de fôlego com potencial de se multiplicar”, completou. “O Brasil detém um elevado grau de sofisticação de conhecimento que pode ser compartilhado pela Embrapa, inclusive em projetos com viés de inclusão de gênero, voltado para mulheres e jovens".

Representando o ministro Carlos Fávaro, da Agricultura, o secretário Luís Renato Rua também destacou o papel da Embrapa nos programas de cooperação, referindo-se à Empresa como exemplo do que a ciência pode fazer. “Com base no histórico de atuação do Brasil no continente africano, em missões internacionais, tenho certeza de que temos um oceano que não nos separa, mas nos une em possibilidades de parceria”, concluiu.

Prêmio Nobel deixa mensagem positiva

Após a sessão de abertura, o cientista Rattan Lal (foto à direita) deixou uma mensagem positiva em sua palestra, como ele mesmo fez questão de destacar. Lal é especialista em ciência do solo e diretor do Centro de Manejo e Sequestro de Carbono, da Universidade de Ohio, Prêmio Nobel da Paz 2007, Prêmio Mundial de Alimentação 2020 e embaixador da Boa Vontade do IICA. “Acredito no potencial da agricultura africana, que tem um futuro brilhante como o novo celeiro do mundo em produção de alimentos”, afirmou. Em comparação às condições improdutivas do Cerrado brasileiro nos anos 1970, que se transformou em uma potência agrícola, Lal falou sobre a abundância de recursos naturais da África e indicou a mitigação das mudanças do clima como a ferramenta para contribuir com o desenvolvimento.

“Mas é preciso empoderar os agricultores, porque aí está a capacidade de transformação”, alertou. Segundo ele, a cooperação entre os países representa a quebra de uma lacuna de vários anos. “A agricultura regenerativa e a inovação são a resposta para o desenvolvimento”, garantiu, ao chamar a atenção para questões como a urbanização acelerada, as mudanças climáticas, a seca, a degradação do solo e a urgência de políticas que priorizem as condições para o aumento da produtividade.

Rattan Lal defendeu ainda a validação de modelos e ações que incluam transições e estudos de longo prazo, importantes para que a ciência se desenvolva. “A COP30 é uma grande oportunidade para mostrar ao mundo o que o Brasil fez, porque não há dúvidas de que a agricultura é parte da solução”, completou.

Em seguida à palestra, foi promovido o painel "Principais desafios e oportunidades para o desenvolvimento da agropecuária comuns à África e ao Brasil", moderado por Marcelo Morandi, chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, com a participação de representantes do MRE (Secretaria de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura, com o embaixador Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto), Mapa (Lucas Fiuza de Mores), IICA (Muhammad Ibrahim) e da Embaixada da República de Camarões (embaixador Martin Mbeng).

Alguns dos assuntos levantados pelos debatedores e que vão motivar as propostas das linhas de ação da parceria foram: visão de longo prazo e estratégia de cooperação, mais conhecimento sobre a realidade dos países da África, disponibilidade de transporte entre Brasil e o continente africano, conectividade digital, treinamento e capacitação, efetivação da presença brasileira e reconhecimento de diferenças regionais. 

À tarde, foram realizados mais dois painéis sobre o intercâmbio de pesquisadores africanos no Brasil: "Complementaridades, sinergias e lacunas entre África e Brasil", com moderação da ABC/MRE (ministra Andréia Rigueira) e debatedores da Agra (Litos Raimundo), do Fara (Abdulrazak Ibrahim) e do CGIAR (Vânia Azevedo); e em seguida sobre a contextualização técnica do programa. A mediação foi do IICA (Muhammad Ibrahim), com a presença de debatedores da Embrapa Gado de Corte (pesquisadora Mariana de Aragão Pereira), da Embrapa Cerrados (pesquisadora Ieda Mendes) e da Embrapa Alimentos e Territórios (analista Gustavo Porpino).

Crédito da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Assessoria de Comunicação (Ascom)

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