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Manejo eficiente fortalece a caprinocultura no Semiárido e abre mercado para pequenos produtores
A criação de caprinos no Semiárido enfrenta desafios constantes, especialmente devido à dependência da vegetação nativa da Caatinga, afetada por estiagens prolongadas. A escassez de alimentos compromete a produtividade e obriga os produtores a recorrerem a rações concentradas, elevando os custos e reduzindo a competitividade dos pequenos criadores. Para transformar essa realidade, a Embrapa Semiárido (Petrolina-PE) tem capacitado produtores, técnicos e estudantes por meio do projeto “Eólicas de Casa Nova”, que incentiva o uso de tecnologias voltadas à produção de forrageiras e ao aprimoramento do manejo animal.
A iniciativa, viabilizada por um convênio com a Eletrobras, e com apoio da prefeitura de Casa Nova-BA, busca aumentar a resiliência produtiva das pequenas propriedades da região, promovendo a diversificação de cultivos forrageiros e reduzindo a dependência de insumos externos.
Nas propriedades parceiras, foram introduzidas espécies como palma forrageira, gliricídia, leucena, sorgo, milho, guandu e melancia forrageira, proporcionando dietas mais balanceadas aos rebanhos. “Com a diversificação dos cultivos, garantimos alimento de alta qualidade nutricional ao longo do ano, o que melhora a produção de leite e carne”, explica a pesquisadora Salete Morais, da Embrapa Semiárido, responsável pelo acompanhamento técnico.
Além da melhoria na alimentação animal, o projeto incentiva a substituição de animais de baixa produtividade por raças mais especializadas à produção leiteira, como a Saanen. “Queremos que essas propriedades se tornem modelos para a região, mostrando que a diversificação e o manejo adequado fazem a diferença para o pequeno produtor”, ressalta.
Transformação na prática
Um dos casos de sucesso do projeto é o Sítio Terra Seca, propriedade do casal Regiane Reis da Silva e Aldei José da Silva, que trabalha com caprinocultura leiteira. Antes, a produção da família era limitada pela dependência de rações comerciais e pela baixa produtividade do rebanho.
A mudança começou quando Regiane participou de um curso de sanidade animal promovido pela Embrapa. A partir daí, a propriedade passou a integrar o projeto e a receber suporte técnico. Novas estratégias foram implementadas e, em pouco tempo, a produção de leite saltou de 15 para 80 litros diários.
Com o aumento da produção, a fabricação de queijo artesanal, antes limitada, também cresceu. O casal recebeu apoio para adquirir equipamentos que agregaram valor ao produto, ampliando o mercado. Hoje, os produtos da Casa de Queijo Nia, do Sítio Terra Seca, têm alta demanda.
Além do queijo, a família diversificou suas atividades, investindo na criação de aves e suínos, aproveitando o soro do leite como suplemento alimentar. A propriedade também passou por melhorias estruturais, incluindo a construção de uma cisterna, um aprisco mais adequado e confortável para os animais e uma barragem subterrânea para armazenamento de água.
Outro avanço significativo foi a adequação da queijaria às normas sanitárias, permitindo a comercialização em mercados mais amplos. Com apoio do projeto, Regiane e Aldei conquistaram certificações importantes, incluindo o Selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Agropecuária (SISBI-POA), concedido pelo Consórcio Sustentável do Território do São Francisco (Constesf), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Agora, a agroindústria familiar pode vender seus queijos em todo o território nacional.
Para o pesquisador Rebert Coelho, da Embrapa Semiárido, coordenador do projeto, os resultados do Sítio Terra Seca demonstram o potencial da caprinocultura no Semiárido quando aliada às boas práticas de manejo e inovação tecnológica. “O sucesso dessa propriedade mostra que pequenos produtores podem se tornar referência em qualidade e eficiência produtiva, desde que tenham acesso a conhecimento e assistência técnica qualificada”, destaca.
Mas, o impacto do projeto vai além dos limites da propriedade. Regiane e Aldei passaram a compartilhar suas experiências com outros produtores, participando de dias de campo e intercâmbios técnicos. O conhecimento adquirido e aplicado no Sítio Terra Seca agora serve de inspiração para outras famílias do Semiárido, promovendo mais produtividade e renda no campo.
Clarice Rocha (MTb 4733/PE)
Embrapa Semiárido
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