Recursos Naturais

Conteúdo migrado na íntegra em: 09/12/2021

Autor

Paulo Cardoso de Lima - Consultor autônomo

 

Nesta parte são descritas as características de solo, clima, relevo, vegetação, fauna e recursos hídricos da Mata Sul de Pernambuco, um território com recursos naturais abundantes, explorados desde a época do Descobrimento. 

Com respeito aos solos, apesar do potencial de aproveitamento agrícola, há algumas limitações ao uso deste recurso, devido à ocorrência de solos de baixa fertilidade, suscetibilidade à erosão, relevo acidentado e má drenagem nos solos de várzea. Os solos dominantes na microrregião são os Latossolos Amarelos, seguidos dos Argissolos Amarelos e Vermelho-Amarelos. Também ocorrem Gleissolos, Neossolos Flúvicos, Neossolos Quartzarênicos e Solos Indiscriminados de Mangues. Ainda ocorrem outras classes de solos em menores extensões.

Estando próxima da linha do Equador, tendo clima tropical úmido, a Mata Sul Pernambucana recebe uma quantidade relativamente elevada de radiação solar, apresentando muitos dias de sol, e não apresentando períodos de temperaturas muito baixas (média anual de 25°C, com noites mais frias em torno de 18°C). As chuvas ocorrem no outono e inverno, principalmente entre março e julho, oscilando entre 1.000 e 2.200 mm anuais. Estas características são favoráveis à atividade agrícola.

Quanto ao relevo, as altitudes variam entre 0 e 791 m, com média de 210 m, e variando entre 0 e 500 m em 92% da área da microrregião. Na porção leste, no litoral, encontram-se as menores altitudes (até 100 m); na parte mais a sudoeste, nos municípios de Quipapá e São Benedito do Sul, e ao norte, no Município de Primavera, estão as maiores altitudes (superiores a 400 m). Cerca de 30% da área tem relevo plano a suave ondulado e quase 50%, relevo ondulado, com os restantes 20% apresentando relevo predominantemente forte ondulado.

Abrigando originalmente a Mata Atlântica e formações vegetais relacionadas, como os manguezais e as restingas, banhada por rios importantes, como o Una, Ipojuca e Sirinhaém e margeada a leste pelo Oceano Atlântico, a Mata Sul Pernambucana apresenta, ainda, apesar da devastação, uma diversidade de espécies da fauna. Ocorrem no território, entre outros mamíferos, o peixe-boi, a lontra, o tamanduá-bandeira e o gato maracajá. Observam-se aves como o rouxinol, o xexéu, a juriti, espécies de beija-flores, bem-te-vis, pica-paus, gaviões, corujas, bacuraus, sabiás, ararinha, garças, urubu, entre muitas outras. O gavião-de-pescoço-branco é espécie endêmica da Mata Atlântica de Pernambuco e Alagoas, ameaçada de extinção. O anambezinho, o jacu, e o beija-flor-de-costas-violetas (esta também endêmica) são outras espécies ameaçadas de extinção em vista do desmatamento. Na Mata Sul, aparecem 88 espécies de peixes, destacando-se como espécies litorâneas o mero e a cioba, ambas ameaçadas por pesca excessiva. A perereca-verde, endêmica e ameaçada de extinção, é uma das 65 espécies de anfíbios que ocorrem na microrregião. O quadro de devastação da Mata Sul, com diversas espécies da fauna ameaçadas de extinção, ressalta a necessidade de um planejamento de desenvolvimento sustentável. 

A vegetação da microrregião é constituída pelas formações vegetais relacionadas com o Bioma Mata Atlântica, como a floresta ombrófila densa, floresta ombrófila densa aluvial, floresta estacional semidecidual, vegetação com influência marinha, vegetação com influência fluvial, e vegetação com influência fluviomarinha. A floresta ombrófila densa, que ocupa a maior parte da área da microrregião, é caracterizada pela riqueza de espécies vegetais, com árvores de até 30m de altura, permanecendo verde ao longo do ano. A floresta estacional semidecidual ocorre em ambientes de transição para o clima semiárido da zona Agreste, menos úmidos que os da floresta ombrófila densa. As árvores são em geral de menor porte que as da floresta ombrófila densa (até 20 m de altura), e apresentam uma razoável perda de folhas no período seco. A floresta ombrófila densa aluvial é formada por espécies higrófilas de porte médio. Foi quase totalmente devastada, devido à ocupação generalizada das margens de rios, de cercanias de brejos e de baixadas onde originalmente ocorria essa vegetação. A vegetação com influência fluviomarinha, ou manguezal, ocorre nas fozes de rios, onde se misturam águas doces e salgadas. São formadas geralmente por até três espécies arbóreas exclusivas desses ambientes. A vegetação com influência fluvial é encontrada em periferias de rios e riachos, constituindo-se em formação densa ou abertas com presença de três ou quatro espécies não arbóreas (ciperáceas, gramíneas, aráceas e outras). A vegetação com influência marinha (restinga) recobre sedimentos arenosos da baixada litorânea com espécies diferentes e de menor porte (até 12 m de altura) que as da floresta estacional semidecidual, e por vezes compreende áreas abertas constituídas por plantas arbustivas de densidade variável. Encontra-se também muito devastada.

No que diz respeito a recursos hídricos, as três principais bacias hidrográficas da Mata Sul são as dos Rios Ipojuca, Sirinhaém e Una (que ocupa a maior bacia), abrangendo uma extensão territorial de 5.889 km2, em 21 municípios.