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Biodiversidade e Patrimônio Alimentar

Tema considerado relevante pelo atual Plano Diretor da Embrapa (PDE), evidenciado através dos objetivos estratégicos 3 - “Intensificar o desenvolvimento de tecnologias para o uso sustentável dos biomas e a integração produtiva das regiões brasileiras” e, principalmente, 4 - “Prospectar a biodiversidade para o desenvolvimento de produtos diferenciados e com alto valor agregado para a exploração de novos segmentos de mercado”.

Entre todos os países megadiversos, o Brasil é o mais rico em plantas, animais e microrganismos e detém a maior parte das florestas intactas do planeta. Estima-se que 250 mil espécies vegetais têm sido descritas em todo o mundo, sendo que sessenta mil só no Brasil, o país com maior diversidade de plantas no planeta.

O uso da biodiversidade na alimentação contribuiu para o desenvolvimento das culturas humanas e o uso desses alimentos permanecem vivamente presentes nos hábitos alimentares até hoje.

No Brasil, a mandioca, o açaí, entre muitos outros, são provas disso. Entretanto um dos principais desafios científicos e tecnológicos é a prospecção da biodiversidade para o desenvolvimento de produtos diferenciados e com alto valor agregado para exploração de novos segmentos de mercado. Assim, é essencial assegurar as bases técnicas para caracterizar, nestes alimentos, as características nutricionais, funcionais e promotoras da saúde.

O recente movimento de valorização e uso da biodiversidade na gastronomia é verificado em diversos países do mundo, como França, Peru, etc. No Brasil, o movimento também é observado através de iniciativas de chefs, do conjunto da sociedade e de movimentos como o Slow Food.

Da mesma forma, o consumo de hortaliças não convencionais (ou não tradicionais) tem aumentando devido ao crescente reconhecimento do seu valor nutricional, para a saúde, e como referência cultural.

No Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, existe um grande número de espécies alimentares com potencial para o uso na Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), que além de serem saudáveis, estão conectados com a luta contra a fome e a pobreza rural, com a inclusão produtiva e aumento de renda.

Trata-se de uma oportunidade dos produtores rurais obterem acesso a mercados especiais, onde os consumidores interessam-se pelo caráter exótico e presença de nutrientes capazes de prevenir doenças. A ingestão desses alimentos, não somente resultado da preferência pessoal pelo sabor, também pode ser associado à preocupação com a saúde, tendo em vista serem fontes de nutrientes e consideráveis quantidades de micronutrientes, tais como sais minerais, fibras, vitaminas e compostos secundários, a exemplo dos fenólicos.

Nessa direção, a valorização da biodiversidade e do patrimônio alimentar atualmente é um movimento da sociedade, que busca reafirmar ou construir sua identidade cultural, e impacta diretamente a dinâmica de desenvolvimento dos territórios.

Em função disso, diversos trabalhos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) estão sendo realizados nos principais centros de pesquisa em todo o mundo. O IRD, na sigla em francês para Institute de Recherche pour le Development , é um instituto de pesquisa para o desenvolvimento e tem entre suas atribuições realizar pesquisas no campo da agrobiodiversidade como patrimônio cultural e gastronômico, incluindo estudos sobre a potencialidade dos alimentos tradicionais.
No âmbito da Embrapa, pretende-se realizar estudos que busquem a  construção e a exploração do patrimônio alimentar, suas potencialidades e os riscos de apropriação de direitos e saberes coletivos.

Temas de pesquisa para a linha “biodiversidade e patrimônio alimentar”:

  •  Valorização de espécies da biodiversidade brasileira na alimentação;
  •  Inventário alimentar dos territórios e regiões brasileiras;
  • Valorização de sistemas agroalimentares tradicionais;
  • Patrimônio alimentar brasileiro, gastronomia e turismo;
  • Patrimônios alimentares e inovação nos espaços rurais e urbanos.