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Preparo do solo
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Sistema de produção de batata
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A batata pode ser cultivada em solos que ofereçam condições para o adequado crescimento do sistema radicular e dos tubérculos. O sistema radicular da planta da batata é relativamente delicado e raso, podendo desenvolver-se até 1,0 m de profundidade; porém, com maior concentração na camada de 0 a 30 cm. Os tubérculos também se desenvolvem na camada mais superficial. Estas características contribuem para que a cultura seja exigente em fertilidade do solo e altamente responsiva a adição de nutrientes. Além disso, o preparo do solo, plantio e amontoa devem ser feitos de tal forma que garantam não só a emergência rápida das plantas, mas também a penetração das raízes na maior profundidade possível e boa drenagem. Também é importante que os tubérculos em desenvolvimento encontrem condições favoráveis e permaneçam cobertos com solo suficiente, pois aqueles expostos à luz tornam-se verdes e são facilmente atacados por insetos e patógenos.
Escolha da área
A área para plantio da batata deve ser bem ventilada, com solos profundos, estruturados, com boa fertilidade e que tenham sido cultivados previamente, de preferência com gramíneas. Recomenda-se terrenos relativamente planos, pois os mais declivosos, além de dificultarem a mecanização, favorecem a erosão, já que a cultura da batata exige grande mobilização do solo durante o cultivo e a colheita.
Devem ser evitados solos sujeitos ao encharcamento, pois prejudicam o arejamento das raízes e favorecem o apodrecimento dos tubérculos. Solos erodidos, compactados, ou muito argilosos, além de dificultarem o preparo, provocam deformação nos tubérculos.
Um dos aspectos mais relevantes à bataticultura é evitar o replantio de batata ou plantio em locais onde foram cultivadas solanáceas (fumo, pimentão, tomate) em anos anteriores, bem como áreas contaminadas com patógenos de solo comuns à batata, como cenoura e beterraba, que possam ser limitantes ao bom desenvolvimento da cultura.
Preparo do solo
O preparo do solo depende não só das suas características, mas também do tipo de colheita que se pretende adotar. Geralmente, consiste no preparo inicial com arações seguidas de gradagem ou subsolagem, seguidas de outra aração e gradagem, ou apenas escarificação, com antecedência de um a dois meses. Na época do plantio, normalmente, é realizado o preparo secundário, com a finalidade de nivelar e destorroar a camada mais superficial do solo para facilitar a implantação e o desenvolvimento inicial das plantas, podendo ser realizadas operações com grades e enxada rotativa.
No preparo inicial, a subsolagem, que objetiva a descompactação do solo em camadas abaixo de 30 cm, somente é recomendada quando a camada compactada impede o fluxo de água ou o sistema radicular das plantas, pois este processo utiliza grande gasto de energia e requer mais operações complementares, já que a superfície do solo fica bastante irregular. A aração visa à descompactação de camadas até 30 cm e promove a incorporação de restos culturais, corretivos e plantas daninhas, podendo ser utilizados arados de aivecas ou de discos. A escarificação também promove descompactação até a profundidade de 30 cm, porém mantendo parte da cobertura vegetal existente e movimentando menos o solo.
O preparo secundário deve ser realizado o mais próximo possível do plantio, nivelando a superfície do solo, eliminando plantas invasoras e tornando o leito adequado ao estabelecimento da lavoura. Normalmente são utilizadas grades de discos ou de dentes; estas são mais sujeitas ao acúmulo de palha (embuchamento), mas possuem a vantagem de desagregar menos o solo. As enxadas rotativas são bastante empregadas em áreas pequenas e possibilitam várias regulagens quanto ao tamanho dos torrões.
Com o aumento da colheita mecanizada em solos mais argilosos, tem-se utilizado enxada rotativa para diminuir a ocorrência de torrões que podem ser recolhidos juntamente com os tubérculos, o que aumenta a perda de solo e os custos de transporte e lavagem da batata colhida. Nessas áreas, alguns produtores têm utilizado a enxada rotativa, inclusive antes da semeadura da cultura precedente (normalmente uma gramínea), visando à redução da ocorrência de torrões na colheita da cultura da batata subsequente. No entanto, ressalta-se que o número de operações e a mobilização do solo devem ser os menores possíveis para não haver compactação das regiões mais profundas do solo ou pulverização excessiva da camada superficial, o que pode aumentar o risco de erosão.