Mamona
Cultivares
Autores
Francisco Pereira de Andrade
Máira Milani - Embrapa Algodão
As cultivares desenvolvidas pela Embrapa Algodão, em parceria com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA), BRS Paraguaçu e BRS Nordestina foram selecionadas para a região semiárida brasileira. No entanto, têm mostrado adaptação a diferentes ecossistemas em que se utilizem plantio e colheita manual, baixo uso de insumos e precipitações adequadas ao desenvolvimento da planta. Podem ser plantadas em sistema de monocultivo ou consórcio.
As cultivares BRS Energia e BRS Gabriela foram desenvolvidas pela Embrapa, com participação na validação dos genótipos da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). A BRS Energia destaca-se pelo seu ciclo curto (110 a 140 dias), onde foi testada e validada para a região Nordeste e o Estado de Roraima. A BRS Gabriela destaca-se pelo teor de óleo e foi validada para a região Nordeste e os estados de Roraima, Goiás e Rio Grande do Sul. São indicadas para monocultivo e possuem frutos indeiscentes.
BRS PARAGUAÇU
A cultivar BRS Paraguaçu foi obtida por seleção massal da variedade local Sangue-de-boi.
Ciclo: Média de 250 dias entre o plantio e a maturação dos últimos cachos.
Produtividade: Produtividade média de 1.500 kg/ha, em sequeiro.
Florescimento do primeiro cacho: O lançamento do primeiro cacho ocorre aproximadamente 45 dias após a germinação. Pode ser um período maior em condições de baixa luminosidade e/ou baixas temperaturas.
Maturação dos cachos: O cacho principal tem maturação em torno de 90 dias (quando normalmente se realiza a 1ª colheita), o segundo e terceiro cachos, em torno de 120 a 180 dias (2ª colheita), e os demais, em torno de 220 dias (3ª colheita).
Tamanho do cacho: Em média, 20 cm. Pode mostrar grande variação, a depender da quantidade de chuvas, sendo que excesso e falta causam redução no tamanho do cacho.
Inflorescência: As inflorescências apresentam flores femininas na parte superior e masculinas na parte inferior. Têm formato oval. Foto: Máira Milani Figura 1. Inflorescência de ‘BRS Paraguaçu’. |
Cachos: Os cachos têm formato oval, frutos imaturos verdes com cera, densidade de acúleos média, densidade de frutos média, acúleos roxos com cera. Cachos sombreados ou próximos da maturação tendem a ter coloração verde-escura e pouco ou nenhuma cera, com pouca coloração vermelha nos acúleos. Sob extremos de precipitação (alta ou baixa), a densidade dos frutos no racemo pode ser menor. Os frutos são semideiscentes.
Foto: Liv S. SeverinoFigura 2. Cacho de ‘BRS Paraguaçu’. |
Altura de planta: Em média, tem apresentado 160 cm.
Número de cachos por planta: A planta pode produzir até 30 racemos. Esta característica é influenciada pelo manejo. Em cultivo, encontram-se plantas com 4 a 7 cachos/planta.
Caule: Apresenta caule roxo. Em áreas sombreadas da planta, apresenta coloração verde/avermelhada. Independentemente da alteração da cor, sempre apresenta cera.Os ramos também têm cor roxa e possuem cera.
Folhas: As folhas são verdes, com nervuras vermelhas, tamanho grande (55 cm 65 cm).
Foto: Máira MilaniFigura 3. Face inferior da folha de ‘BRS Paraguaçu’. |
Peso de 100 sementes: Em torno de 65 g, podendo variar entre 62 g e 70 g.
Sementes: As sementes têm cor única preta. Sob estresse hídrico, pode apresentar pequenas pontuações brancas, sem padrão definido. A presença de sementes de cor marrom ou avermelhada é indicativo de colheita antecipada ou deficiência nutricional.
Teor de óleo: Em média, 48%.
BRS NORDESTINA
A cultivar BRS Nordestina foi obtida a partir de seleção individual com teste de progênies na variedade local Baianita.
Ciclo: Média de 250 dias entre o plantio e a maturação dos últimos racemos.
Produtividade: Produtividade média de 1.500 kg/ha em sequeiro.
Foto: Máira Milani Figura 4. Área de produção de sementes de ‘BRS Nordestina’, sob irrigação. Sumé, PB. |
Altura de planta: Em média, tem apresentado 190 cm.
Folhas: As folhas são verdes, com nervuras esverdeadas, tamanho grande (55 cm 65 cm)
Foto: Máira MilaniFigura 5. Face inferior da folha de ‘BRS Nordestina’. |
Caule: Apresenta caule verde e possui cera. Em determinadas condições climáticas de estresse (como acidez do solo e deficiência hídrica), o caule pode apresentar a cor vermelha, bem como no final do ciclo da planta. O caule também apresenta a cor vermelha sob sol intenso, mas neste caso somente o lado do caule que estiver voltado para o sol. Assim, um lado do caule é verde e outro vermelho. Em todos os casos, sempre a parte inferior do caule, que está próxima ao solo, apresenta a cor verde. Deve ser avaliada, preferencialmente, durante a floração. Independentemente da alteração da cor, sempre apresenta cera. Os ramos também têm cor verde e sob estresse pode se tornar alaranjado e até avermelhado. Possuem cera.
Florescimento do primeiro cacho: O lançamento do primeiro cacho ocorre aproximadamente 45 dias após a germinação. Pode ser um período maior em condições de baixas temperaturas e baixa luminosidade.
Maturação dos cachos: O cacho principal atinge a maturação aproximadamente em 100 dias (quando normalmente se realiza a 1ª colheita), o segundo e terceiro cachos, em torno de 150 a 200 dias (2ª colheita), e os demais, em torno de 250 dias (3ª colheita).
Número de cachos por planta: A planta pode produzir até 30 racemos. Esta característica é influenciada pelo manejo. Em cultivo, encontram-se plantas com 4 a 7 cachos/planta.
Número de frutos por cacho: Em média, 60 frutos/cacho.
Inflorescência: As inflorescências apresentam flores femininas na parte superior e masculinas na parte inferior. Têm formato cônico.
Cachos: Os cachos têm formato cônico, frutos imaturos verdes com cera, densidade de acúleos média, densidade de frutos média, acúleos verdes com cera. Cachos sombreados ou próximos da maturação tendem a ter coloração verde-escura e pouco ou nenhuma cera. Em condições de estresse, os acúleos apresentam cor avermelhada. Sob extremos de precipitação (alta ou baixa), a densidade dos frutos no racemo pode ser rala. Os frutos são semideiscentes.
Tamanho do cacho: Em média, 30 cm. Pode mostrar grande variação, a depender da quantidade de chuvas, sendo que excesso e falta causam redução no tamanho do cacho. Foto: Máira MilaniFigura 6. Cacho da cultivar BRS Nordestina. |
Sementes: As sementes têm cor única preta. Sob estresse hídrico, pode apresentar pequenas pontuações brancas, sem padrão definido. A presença de sementes de cor marrom ou avermelhadas é indicativo de colheita antecipada ou deficiência nutricional.
Peso de 100 sementes: Em torno de 68 g. Pode variar entre 65 g e 72 g.
Teor de óleo: Em média, 48%.
BRS ENERGIA
A ‘BRS Energia’ é uma cultivar precoce, com ciclo médio de 120 dias, que tem mostrado adaptação a diferentes ecossistemas em que ocorram precipitações pluviais adequadas ao desenvolvimento e crescimento da planta.
Ciclo: Média de 120 dias, variando entre 110 e 150 dias, entre a germinação e a maturação dos últimos racemos.
Produtividade: Média de 1.800 kg/ha em sequeiro.
Foto: Máira MilaniFigura 7. Área de produção da BRS Energia. |
Altura de planta: Média 140 cm.
Folhas: As folhas são verdes, com nervuras esverdeadas, tamanho médio (45 cm 55 cm).
Foto: Máira MilaniFigura 8. Folhas da cultiver BRS Energia. |
Caule: Caule verde e possui cera.
Florescimento do primeiro cacho: O lançamento do primeiro cacho ocorre aproximadamente 30 dias após a germinação. Pode ser um período maior em condições de baixas temperaturas e baixa luminosidade.
Tamanho do cacho: Em média, 80 cm.
Número de cachos por planta: Nos menores espaçamentos recomendados produz entre 2 e 3 cachos, enquanto nos maiores chega a 8 cachos.
Número de frutos por cacho: Em média, 100 frutos/cacho. Quando há disponibilidade excessiva ou deficiência de água, os frutos são menos numerosos no cacho.
Cachos: Têm formato cônico, frutos imaturos verdes com cera, densidade de acúleos média, densidade de frutos média, acúleos verdes com cera. Os frutos são indeiscentes. Foto: Máira MilaniFigura 9. Cacho da cultivar BRS Energia. |
Sementes: Rajada com as cores bege e marrom.
Peso de 100 sementes: Pode variar entre 40 g e 55 g.
Teor de óleo: Em média, 48%.
BRS GABRIELA
A cultivar BRS Gabriela tem origem na linhagem CNPAM 2001-42, selecionada em 2001, em Irecê, BA, a partir de linhagens segregantes oriundas de cruzamentos entre as cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu, com altura inferior aos parentais.
A cultivar foi testada em todos os estados da região Nordeste, e ainda em Goiás, Roraima e Rio Grande do Sul, mostrando-se mais produtiva que a ‘BRS Energia’ na maioria dos estados ou com diferenças não significativas.
Ciclo: Média de 150 dias entre o plantio e a maturação dos últimos racemos.
Produtividade: Produtividade média de 1.900 kg/ha em sequeiro.
Altura de planta: Em média, tem apresentado 160 cm.
Foto: Máira MilaniFigura 10. Inflorescência, folhas, caule e ramos da cultivar BRS Gabriela. |
Caule: Apresenta caule vermelho e possui cera. Deve ser avaliada, preferencialmente, durante a floração. Os ramos também têm cor vermelha e apresentam cerosidade.
Inflorescência: As inflorescências apresentam flores femininas na parte superior e masculinas na parte inferior. Têm formato globoso.
Florescimento do primeiro cacho: O lançamento do primeiro cacho ocorre entre 35 a 40 dias após a germinação. Pode ser um período maior em condições de baixas temperaturas e baixa luminosidade.
Tamanho do cacho: Em média, 20 cm. Pode mostrar grande variação, a depender da quantidade de chuvas, sendo que excesso e falta causam redução no tamanho do cacho.
Número de cachos por planta: A planta pode produzir até 30 racemos. Esta característica é influenciada pelo manejo. Em cultivo, encontram-se plantas com 5 a 8 cachos/planta.
Número de frutos por cacho: Em média, 40 frutos/cacho.
Foto: Máira MilaniFigura 11. Área de produção de sementes da cultivar BRS Gabriela. |
Peso de 100 sementes: Em torno de 53 g. Pode variar entre 50 g e 55 g.
Sementes: As sementes são rajadas, marrom-avermelhada e bege.
Teor de óleo: Em média 50%.
Foto: Máira MilaniFigura 12. Sementes da cultivar BRS Gabriela. |